Arquivistas temem perda do patrimônio documental da Bahia com leilão do prédio do Arquivo Público

Por: Adele Robichez no dia 14 de outubro de 2022 às 16:19

“Membros da Associação de Arquivistas da Bahia (AABA) demonstraram preocupação em relação ao leilão do prédio da Quinta do Tanque, que abriga o Arquivo Público do Estado da Bahia (Apeb). De acordo com eles, a venda do imóvel, prevista para a próxima segunda-feira (17), caracteriza uma “prejuízo inestimável” para a cultura e história do Brasil.

“Nós estamos bastante temerosos com o que pode vir a acontecer com o patrimônio documental da Bahia. É um patrimônio nacional, além de ser do estado”, disse a presidente do AABA, Leide Mota. “Não existe um prédio com condições adequadas para abrigar o acervo do tamanho do Apeb”, acrescentou.

Leide reforçou, além da falta de um espaço adequado para a salvaguarda dos arquivos, a dificuldade da transferência destes. Há mais mais de 41 milhões de documentos históricos abrigados no espaço. “E mesmo se tivesse (um prédio), é preciso cadenciar um planejamento estratégico de transferência do acervo, de recuperação e restauração de alguns documentos fragilizados que, em uma mudança, correm o risco de se perderem. Para isso, é necessária toda uma logística”, afirmou.

Ana Paula Ramos, membro da diretoria da AABA, citou ainda a importância da conservação do prédio tombado pelo Iphan para a preservação da contribuição da pesquisa baiana para o mundo. “O prejuízo da concretização desta ação é inestimável, pois confere uma perda do patrimônio histórico e cultural não apenas do povo baiano. O acervo do APEB é uma fonte de memória de inúmeros povos, sendo objeto de estudo e interesse de diversos países, que investem em inúmeros projetos de proteção e disseminação dos documentos, dada a importância das informações ali contidas”, declarou.

Antes, a Unesco se pronunciou sobre a venda do prédio após o anúncio da suspensão do primeiro leilão. O texto crava que “a preservação do patrimônio documental e de seu acesso público, dever de todos para com todos, requer uma edificação em condições seguras”, entre outras coisas. “Sem essas condições, a Memória do Mundo é irremediavelmente destruída”, completa a carta.

O leilão é destinado ao pagamento de dívidas contraídas pela hoje extinta Bahiatursa. A penhora foi oferecida em 2005, na gestão do então governador Paulo Souto, do UNIÃO. A primeira praça, que aconteceria em 9 de novembro de 2021, foi suspensa após uma decisão judicial. Onze meses depois, porém, voltou à pauta e deve acontecer no próximo dia 17″.

 

Fonte: https://www.metro1.com.br/noticias/bahia/129374,arquivistas-temem-perda-do-patrimonio-documental-da-bahia-com-leilao-do-predio-do-arquivo-publico

 

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